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20/06/2019 às 12h32

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Ascom

Oeiras / PI

CEFAS DISCUTE SOBRE CSA - Comunidade que Sustenta a Agricultura.
Comunidade que Sustenta a Agricultura
CEFAS DISCUTE SOBRE CSA - Comunidade que Sustenta a Agricultura.

O CEFAS esteve na manhã deste dia 18 na Comunidade Quilombola de Cepisa – São João da Varjota para discutir sobre o sistema CSA – Comunidade que Sustenta a Agricultura.

CSA é um modelo de um trabalho conjunto entre produtores de alimentos orgânicos e consumidores: um grupo fixo de consumidores se compromete por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola. Em contrapartida os consumidores recebem os alimentos produzidos pela comunidade ou propriedade sem outros custos adicionais. Desta forma o produtor sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de forma livre a sua produção. E os consumidores recebem produtos de qualidade, sabendo quem os produz e aonde são produzidos.

A transição de um modelo convencional para a CSA é como quebrar paradigmas da sociedade, transformar e criar uma nova realidade através do alimento, fortalecendo as relações de confiança. Esse modelo de consumo é muito promissor como tecnologia social de transformação, aliando, unindo produtores e co-produtores na mesma causa, em busca de uma alimentação saudável, respeitando o meio ambiente, dando mais dignidade e auto-estima ao agricultor, trabalhando as relações com a terra e com as pessoas, criando uma nova maneira de se relacionar com o mundo... CSA é uma economia solidária e associativa que transforma a nossa relação de consumo.

Entenda logo abaixo como iniciar o Sistema CSA:

O primeiro passo é formar um Co-grupo organizador, que perceba o problema vivido hoje no campo da agricultura e se motive a agir em busca de soluções. Este grupo busca por um produtor de prática ecológica (de preferência de manejo orgânico/natural/Biodinâmico), que se identifique com a proposta da CSA e se disponha a trilhar este novo caminho.
Juntos, co-grupo organizador e agricultor promovem uma chamada pública, focada inicialmente entre amigos e conhecidos, para poderem realizar uma reunião na qual haja uma explicação sobre o que norteia a prática da CSA, seus princípios e objetivos, para todos os participantes (que são potenciais futuros co-agricultores da CSA em formação).

Após a realização desta reunião, baseado nas decisões ali acordadas, o co-grupo organizador realiza uma estruturação dos pontos definidos na reunião, procurando definir de forma organizada e estruturada questões básicas e essenciais para o funcionamento da CSA que envolvem: o local do plantio com variedades e quantidades pré-acordadas, definição de papéis e responsabilidades necessários para o funcionamento da CSA na localidade, definição do orçamento a ser rateado entre todos. Paralelamente a comunidade\consumidores é informada e instruída a respeito desta nova maneira de relação e envolvimento com o agricultor e suas atividades.

São então organizados encontros entre agricultor e consumidores, para combinar entre demandas e necessidades, de ambas as partes, os valores que possibilitarão esta ação conjunta, que resulta em apoio solidário e consumo consciente. Após essas definições, o co-grupo organizador convoca nova chamada para realizar o recolhimento das adesões para a primeira temporada do período agrícola que será iniciado com a participação de todos os membros da CSA. Nessa reunião é apontada a data em que as primeiras entregas irão acontecer, bem como data do primeiro pagamento das contribuições para financiamento da produção, são assinados os contratos de compromisso (que podem ou não ser formais, depende da decisão do grupo em conjunto). Os valores levantados são divididos entre os membros, isto resulta na definição do valor da "cota", paga mensalmente e retirada semanalmente na horta na forma de alimentos produzidos diretamente para o grupo. No caso de zonas urbanas, são organizados pelos membros "depósitos" para onde os alimentos são levados e então retirados nos dias combinados.

Assim é gerada uma nova forma de apoio ao agricultor, não mais uma compra, mas um financiamento pró-ativo. Em todas as iniciativas já existentes isto se dá de maneira simples. Os membros se tornam, naturalmente, co-produtores (não mais simples consumidores) e passam a atuar em uma dinâmica de co-gestão.

O passo seguinte é nomear um administrador, escolhido durante o processo de implantação, que assume a figura de quem vai fazer a comunicação interna e a comunicação externa. Ele também poderá fazer o controle financeiro. No entanto sempre pode contar com a ajuda dos membros na execução de cada atividade. A remuneração do administrador é assumida pelos membros, não pelo agricultor. Isso tudo garante uma entrada fixa anual, paga inclusive durante as férias pelos membros, mesmo quando estes não retiram suas cotas. Com isso o Agricultor tem resgatada a possibilidade de atuar um sua tarefa principal, cuidar da terra.

FONTE: José Inácio Madeira

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